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sábado, 19 de novembro de 2016

História transitável #2: Rua Sábbado D'Angelo

Certamente todo itaquerense já passou pela rua Sábbado D'Angelo em algum momento de sua vida. A via é uma das mais extensas do bairro, com quase três quilômetros, e liga o centro de Itaquera, começando ao lado do 32º DP, passando pela estação Dom Bosco da CPTM e Jardim Morganti, cruza a Avenida João Batista Conti, passa pelo Parque Raul Seixas e desemboca no entroncamento que dá acesso à Avenida Jacu Pessego, as ruas Bartolomeu Ferrari e Agrimensor Sugaya e a Rua São Teodoro, sendo este último trecho contramão para veículos à motor. 

Uma via tão extensa precisava ter um nome a sua altura, e Sábbado D'Angelo, um dos mais ilustres itaquerenses da história, batiza a rua em que por muitos anos trafegou com seus parentes à bordo de seus antigos calhambeques. 

S'abbado D'Angelo no centro da foto, vestindo um paletó preto.

Sábbado D'Angelo foi um grande empreendedor de sua época, fazendo fortuna trabalhando no ramo do tabaco. Sua fábrica de cigarros, a Sudan, foi uma das maiores do ramo em seu tempo, o que  o transformou em um importante aristocrata paulistano. Mas diferente da nata da sociedade que naquela época escolhia a centralidade de Campos Elísios e região para viver, D'Angelo e sua família residiram na paz e no descanso de uma tranquila Itaquera, onde por anos foi um dos principais moradores da região e colecionou pelo bairro bens e propriedades que até hoje estão presentes no cotidiano do itaquerense.

Uma propriedade de D'Angelo é bem visível a quem passa pela rua que ganha seu nome. A chácara Sudan, localizada no número 648 da rua se situa no quarteirão inteiro formado pelas ruas Sábbado D'Angelo, Francisco Jannetti, Professor Brito Machado e Narciso Araújo. 

A Chácara Sudan. Embora Sábbado D'Angelo tenha deixado em seu testamento que desejava que sua antiga casa fosse sede de uma instituição de ensino ou saúde, nos dias de hoje a casa (que está bem conservada exceto seus muros) não tem grande uso pelos responsáveis. Itaquera aguarda uma ação para usufruir dessa bela herança ao bairro.


Embora vivesse em Itaquera, Sábbado D'Angelo não deixou sua marca só por aqui. Existe um belo monumento doado por ele na praça ao lado da Paróquia Santo Antônio, no bairro do Pari, já no centro da cidade.



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

História transitável #1: Rua Virgínia Ferni

O paulistano anda por suas ruas, observa seus detalhes, guarda seus nomes e transforma aquela via num ponto fácil de referência para suas atividades. Mas será que quem utiliza as ruas, se apega aos seus nomes?

Começamos hoje a sessão "História transitável", que irá mostrar quem é aquele que batiza o nome das vias mais importantes da região de Itaquera. E hoje começamos com a importante via que liga a região do hospital Planalto, passa por parte da Parada XV, pelo bairro de Itaquera e tem sua maior extensão presente em José Bonifácio. A rua Virgínia Ferni.

Embora seja atualmente uma das vias mais movimentadas de todo o distrito de Itaquera, ela não é das mais velhas ruas. A rua Virgínia Ferni foi oficializada como via, ganhou um nome oficial e apareceu em mapas a partir do início das obras do Conjunto Habitacional José Bonifácio, na década de 1970. Sendo que Itaquera já tem quase 400 anos de história desde suas primeiras citações, é uma via muito recente.


Note o fragmento da planta da cidade de São Paulo do ano de 1943, de responsabilidade da São Paulo Tramway Light & Power: O mapa da região de Itaquera já era bem parecido com o que conhecemos hoje, com suas áreas mais antigas como Vila Santana, Vila Carmosina, além do loteamento que havia sido feito na região da Parada XV, o loteamento da Vila XV de Novembro, porém faltava toda a região do Conjunto Habitacional José Bonifácio, que ainda não havia sido construído. Com isso, a rua Virgínia Ferni e todas as suas ruas adjacentes ainda não existiam também. Aliás, até hoje essa é a divisão oficial dos bairros. Da Virgínia Ferni para a região oeste, é Itaquera. Da Virgínia Ferni para a região leste, é José Bonifácio. Não acontece em toda sua extensão, porém é notório o fato vendo o mapa acima, que destaca bem o que existia e o que ainda não existia no distrito de Itaquera. O que não existia neste mapa e podemos ver nos mapas atuais, certamente faz parte do atual bairro de José Bonifácio.

Mas quem foi Virgínia Ferni? Um nome tão familiar nos dias do itaquerense nunca foi difundido como deveria e nossa história deixa de ser contada a fundo. Mas o Diário de Itaquera pesquisou, e trás para o bairro essa história.

Virgínia Ferni Germano foi uma italiana importante em seu tempo. Nascida em dezembro de 1849 em Turim com o nome de solteira de Virgínia Ferni, foi uma telentosa atriz e cantora lírica soprano, com apresentações nos mais importantes teatros do mundo, em Sevilha, Nova York, Milão e várias outras casas de espetáculos italianas. Dentre seu repertório, interpretações de "Romeu e Julieta" e "O Barbeiro de Sevilha" fizeram dela a cantora presente nas mais conhecidas e importantes óperas do século XIX e XX. Falecida em 1934, Virgínia é lembrada pelos mais antigos como uma das maiores cantoras de sua época, e ganha uma justíssima homenagem em nosso distrito, que buscou na história um nome importante para realizar referência perto de nossas casas.

Virgínia Ferni-Germano